Maracanã | Estiagem e queimadas ameaçam a vegetação dos Campos das Mangabas e outras áreas

Atualidades Meio Ambiente e Sustentabilidade

A Amazônia atravessa mais um período de forte pressão climática, com estiagem, temperaturas elevadas e redução da umidade da vegetação. Uma combinação que transforma folhas, galhos e áreas de mata em material altamente inflamável, aumentando o risco de incêndios, sejam eles acidentais ou provocados pela ação humana.

Na Região do Salgado Paraense, diversos municípios enfrentam os efeitos desse período mais seco. Em Maracanã, a preocupação é crescente. Vários focos de incêndio vêm sendo registrados, especialmente em áreas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Campo das Mangabas, um importante patrimônio ambiental do município, que abriga vegetação nativa e espécies características desse ecossistema, mas, que a cada ano sofre no verão.

A preocupação não é apenas uma percepção dos moradores. Um estudo acadêmico sobre as queimadas na RDS Campo das Mangabas, utilizando dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), identificou uma concentração expressiva de focos de calor na reserva. A pesquisa aponta grande parte do território de Maracanã apresentou densidade muito alta de ocorrências, incluindo a área protegida. O trabalho também registra árvores de mangaba atingidas pelo fogo e prejuízos à coleta dos frutos nativos.

Na sede municipal, a situação também merece atenção. Parte da vegetação da orla, submetida à exposição solar intensa e à falta de chuvas, apresenta ressecamento, aumentando sua vulnerabilidade. Há ainda relatos de ocorrências associadas à ação humana, inclusive incêndios aparentemente provocados. É importante lembrar que as imagens de satélite identificam focos de calor, mas não determinam, por si só, se o fogo foi acidental ou criminoso. Relatos na cidade preocupam, pois sofrem em especial idosos e crianças, que enfrentam diariamente problemas com a garganta e viroses.

El Niño pode agravar o cenário

Outro fator que acende o sinal de alerta é o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Seus efeitos sobre o clima brasileiro incluem, historicamente, temperaturas mais elevadas e alterações no regime de chuvas, com possibilidade de estiagens mais prolongadas na Amazônia.

E há dados recentes que reforçam essa preocupação. No boletim divulgado em 29 de outubro de 2026, o painel nacional que reúne INMET, INPE, CEMADEN, ANA e outros órgãos federais apontou que o El Niño poderá alcançar intensidade muito forte, permanecendo ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

A previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte e temperaturas acima do normal. O Cemaden também alerta para o elevado risco de fogo e são 307 municípios brasileiros que aparecem na categoria de alerta alto para o período de novembro a janeiro, com concentração importante no Norte.

O Governo do Pará, inclusive, decretou alerta climático e ambiental preventivo em agosto de 2026, considerando os riscos de estiagem, redução da disponibilidade de água, ondas de calor e incêndios florestais.

E quando as chuvas devem chegar?

Circula a expectativa de que as chuvas mais regulares na Região do Salgado Paraense somente se estabeleçam a partir de fevereiro. Entretanto, é preciso fazer uma ressalva: não há, nos prognósticos oficiais consultados, confirmação de que a região ficará sem chuvas até fevereiro. A previsão disponível indica tendência de precipitação abaixo da média até janeiro, mas não estabelece uma data exata para o retorno das chuvas regulares.

Queimar lixo, folhas ou vegetação em terrenos, provocar incêndios para limpeza de áreas ou atear fogo por qualquer motivo pode transformar uma pequena chama em uma grande tragédia ambiental. Evite!

 

Da Redação

Ana Paula Tenório

Deixe um comentário