O mês de junho chega e, com ele, uma mudança que os moradores das periferias de Belém conhecem bem. Entre a garotada, a expressão é quase uma tradição: “virou geral”. É a época em que os ventos sopram na direção perfeita para encher o céu de cores, levando para o alto pipas, papagaios e rabiolas que fazem parte da infância de muitas gerações.

Em uma nova imersão pelas periferias da capital paraense, o fotojornalista Sandro Barbosa, registrou cenas que revelam a beleza das brincadeiras simples e das manifestações culturais que seguem vivas nos bairros populares. Durante os meses de junho e julho, canais, lajes e ruas se transformam em verdadeiros pontos de encontro para crianças, adolescentes e adultos que compartilham o prazer de ver o céu tomado por centenas de pipas.
Mas não é apenas o vento que movimenta as comunidades nesse período. As manifestações culturais também ganham força e ajudam a manter vivas tradições que atravessam gerações. Entre os bairros onde essa efervescência cultural se destaca estão Terra Firme e Marambaia, locais onde os bois de rua seguem reunindo moradores em celebrações marcadas por música, dança e identidade popular.

Na Marambaia, o tradicional Boi Vagalume é responsável por levar animação às ruas da periferia, arrastando moradores em seus cortejos cheios de alegria e pertencimento. A expectativa já toma conta da comunidade para o primeiro arrastão deste ano, marcado para o próximo sábado(6).
Já na Terra Firme, a tradição é representada por dois importantes grupos culturais. O mais antigo é o Boi da Terra, referência histórica no bairro. Ao seu lado, o Boi Marronzinho se consolidou como um dos símbolos da cultura popular local. Com mais de 30 anos de atuação, o grupo ultrapassou as apresentações folclóricas e ampliou sua presença social, mantendo atividades ao longo de todo o ano. Com sede própria, transformou-se no Instituto Boi Marronzinho, fortalecendo ações comunitárias e culturais voltadas para os moradores.

Ao percorrer esses bairros, Sandro Barbosa mostra que, muito além das manchetes do cotidiano urbano, existe uma periferia pulsante, criativa e cheia de vida. Uma periferia onde a simplicidade das brincadeiras de rua encontra a riqueza das manifestações culturais, dando voz e vez a crianças, jovens e famílias que mantêm acesa uma das mais autênticas expressões da cultura popular paraense.
Entre pipas colorindo o céu e bois arrastando multidões pelas ruas, junho segue reafirmando que tradição, alegria e comunidade continuam encontrando espaço para florescer nas periferias de Belém.
















Da Redação
Sandro Barbosa

