Quem percorre as rodovias paraenses já percebeu: as lombadas estão se multiplicando. Um dos exemplos mais comentados é o trecho da PA que liga a Vila de Santa Luzia a Salinópolis. Em pouco mais de , 30 quilômetros, os motoristas enfrentam quase 40 lombadas, muitas delas concentradas em pequenas comunidades onde, em alguns casos, chegam a existir cinco quebra-molas em sequência. E aqui estamos falando de uma estrada que leva ao principal ponto turístico do estado à beira mar, e que remete ao sonho de todos por uma autoestrada, com quatro pistas sinalizadas e adequadas.

A intenção de reduzir a velocidade e preservar vidas é legítima e necessária. No entanto, especialistas em engenharia de tráfego defendem que outros mecanismos também podem ser empregados, como travessias elevadas apenas nos pontos de maior circulação de pedestres, redutores eletrônicos de velocidade, fiscalização por radares, melhor sinalização horizontal e vertical, iluminação adequada e intervenções urbanísticas que induzam naturalmente à redução da velocidade, evitando o excesso de obstáculos físicos ao longo das rodovias.
A situação não é exclusiva da região do Salgado. Na rodovia federal BR-010, nas proximidades de Mãe do Rio, o elevado número de lombadas também desperta críticas de quem utiliza a rodovia com frequência. Já na PA que liga Igarapé-Açu a Nova Timboteua, o cenário chama ainda mais atenção. O percurso, cercado por paisagens que preservam a memória da antiga Estrada de Ferro de Bragança e com grande potencial para o turismo histórico e ecológico, acaba sendo evitado por muitos motoristas devido à quantidade considerada excessiva de quebra-molas.

O desafio é encontrar equilíbrio entre segurança viária e mobilidade. Proteger moradores das comunidades é indispensável, mas o planejamento das rodovias também precisa garantir viagens mais fluidas, confortáveis e eficientes. Afinal, uma estrada segura não depende apenas da quantidade de lombadas, mas de um conjunto de medidas de engenharia, fiscalização e educação no trânsito. E até hoje o Estado do Pará não conseguiu dar respostas a isto.
Da Redação
Ícaro Gomes

