Tudo começou em Maracanã, quando o Xexéu entregou o ônibus da família, ao Júnior, seu filho, para fazer os horários do interior.
Sem antes uma recomendação: Tem cuidado com o macaco do carro; é novo; acabei de comprar.
Rotina tranquila, de repente é quebrada: Roubaram o macaco! Quem levou? O aviso do Xexéu caiu por terra.

Salseiro formado, alguém aparece com uma luz minimizando o aperreio.
– Porque não procuram o Auzimar?
Dizem que é um ótimo “Pai de Santo”
Tem um anúncio em frente a casa dele, citando os trabalhos que ele realiza.
“Perdido por um, perdido por mil” – o Júnior rumou para a residência do dito cujo. Atendido pelo babalorixá contou sua aflição. Tarô na mesa, búzios estalando, taquari aceso.
O personagem entra em transe e sapeca a resposta.
– O seu bicho de estimação não está mais na cidade.
Estou vendo ele amarrado numa árvore. Está com fome e sede. Já cortaram até a ponta do rabo dele.

Foi o bastante. O Júnior não segurou a gargalhada e saiu porta-afora sem agradecer a cortesia do aprendiz visionário.
Saravá!

