O que tornou possível a vitória de Daniel?
O resultado das urnas no dia 4 de outubro não conta toda a história da campanha de Daniel. Por trás dos números, houve uma narrativa construída com foco, identidade e propostas que dialogavam com questões importantes para a população: saúde chegando onde o povo está, água de qualidade, Cosanpa, pedágios e o reconhecimento de que o produtor rural não é bandido.

Mas foi no lançamento oficial da candidatura, em 16 de agosto, que Daniel vestiu por inteiro suas raízes. Trouxe para o centro da campanha a história do filho do leiteiro, que andava de ônibus pelo interior do Pará e estudava madrugada adentro até conquistar uma vaga no curso de Medicina, na capital.
Formou-se médico, entrou na vida pública como vereador, chegou à presidência da Assembleia Legislativa, tornou-se prefeito e, agora, alcançou o Governo do Pará.
Uma trajetória que saiu do interior, atravessou desafios e chegou ao Palácio dos Despachos.
A história pessoal, a conexão com as raízes e a escolha de temas que fazem parte da vida cotidiana ajudaram a dar identidade à campanha. No dia 4 de outubro, veio o resultado das urnas e o que parecia impossível aconteceu vencendo a máquina estadual e 140 máquinas municipais.
O que tornou possível a derrota de Hana?
A soberba de Helder Barbalho pode ter sido um dos fatores determinantes para o desfecho eleitoral. Cercado por aplausos e bajulações, pareceu acreditar que a alcunha de “Rei do Norte”, atribuída por admiradores de plantão, combinava perfeitamente com seu poder político.
Após a COP 30, essa imagem de força ganhou contornos ainda mais evidentes. A escolha da própria esposa como conselheira no Tribunal de Contas do Estado, um cargo quase “eterno“, tornou-se um dos símbolos de concentração de poder e de questionamentos sobre os limites da influência política.
Helder pareceu acreditar que podia tudo. Escolheu sua candidata, desconsiderou resistências e colocou 140 prefeitos, deputados e vereadores diante de uma decisão já tomada. A muitos deles coube engolir a seco a escolha e entrar em campo para defender Hana. A máquina política estava montada, e a vitória parecia tão certa que o trabalho de convencer o eleitor, em alguns momentos, deu a impressão de ter ficado em segundo plano.

Helder achou finalmente que o adversário era Daniel, mas, na verdade, era um sentimento de mudança. Na véspera da convenção de Daniel, um vídeo de conteúdo íntimo passou a circular e ganhou repercussão política. Muita gente pensou ser o fim da oposição. Daniel só disse que “vida privada se discute em casa“. Encerrou o assunto, e o vídeo que parecia dar a vitória para Hana, com o povo entendendo o endereço certo de onde veio, levou Daniel aonde ele na campanha não conseguiu chegar.
Hana apostou inicialmente na continuidade de um governo que estava havia oito anos no poder. O problema é que uma parcela do eleitorado demonstrava querer mudança — e mudança para já. A candidata, então, mudou o discurso e passou a adotar medidas e promessas que a colocavam em confronto com ações do próprio governo que representava. Defendeu que a população deixasse de pagar a conta de água e anunciou a suspensão de duas praças de pedágio. Foi então que se percebeu que Hana estava a reboque dos temas discutidos por Daniel. O debate na TV Liberal deixou tudo mais claro.
Como diriam os antigos, numa expressão bem paraense: “A peia que era pra dez, apanhou sozinha!”
1994 e 2026, a história se repete no Pará

Em dois momentos deste ano eleitoral, o Blog contou a história do médico Almir Gabriel – LINK, que em 1994 enfrentou a força política de Jader Barbalho, então governador, que renunciou para disputar o Senado e escolheu Jarbas Passarinho como sucessor. O resultado foi uma derrota avassaladora do candidato governista para Almir.
O que não contamos é que, quatro anos depois, Almir disputou a reeleição contra o próprio Jader, agora senador, com o slogan “Almir faz, Almir fica”. E venceu novamente.
Em 2026, a história parece ter virado um retrovisor. Helder Barbalho deixou o governo para disputar o Senado, escolheu sua candidata e viu Hana perder para outro médico, Doutor Daniel, por uma diferença próxima de 230 mil votos.
No Pará, 32 anos depois, a história mudou os personagens, mas repetiu o roteiro.
E agora, governador?

Terminada a eleição, começa o desafio de governar. Doutor Daniel foi eleito com compromissos que criaram expectativas e agora precisarão sair do discurso para virar realidade.
Entre os compromissos estão enfrentar juridicamente o contrato da Águas do Pará, que assumiu serviços antes prestados pela Cosanpa e pelos SAAEs em municípios paraenses; buscar caminhos para que produtores rurais trabalhem na legalidade, garantindo preservação do meio ambiente e sem depender exclusivamente da perseguição; fortalecer hospitais municipais, aproximar UTIs e especialidades médicas da população e acabar com o chamado “fura-fila” dos leitos na saúde.
O Pará espera um governador presente onde realmente importa: saúde, educação, segurança e saneamento. Menos protagonismo pessoal e mais resultados concretos.
O povo paraense literalmente chamou o doutor!
Renovação à vista em 2028. Será?

Daniel chegou ao governo reunindo lideranças novas e antigas. Entre elas, ex-prefeitos, ex-prefeitas, ex-vereadores, ex-vice-prefeitos e candidatos derrotados nas últimas eleições municipais, muitos deles atropelados pela força política do grupo de Helder Barbalho.
Agora, com a mudança no comando do Pará, é natural que esses aliados alimentem o sonho de conquistar o apoio do novo governador para pavimentar suas candidaturas em 2028.
Nos bastidores, aliados defendem que Daniel tenha com os atuais gestores uma relação institucional, investindo nos municípios, mas, que aguarde 2028 para formar um time de prefeitos e prefeitas renovadas que possa chamar de seu grupo aliado. Mas uma coisa é apoiar Daniel para governador; outra, bem diferente, é conquistar sua bênção para disputar as prefeituras.
Em 2028, as urnas responderão.
O tiro que saiu pela culatra

A estratégia do prefeito de Castanhal, Hélio Leite parecia simples, lançar sua esposa, Néia Leite, para a disputa de deputada estadual e, com isso, dividir votos e frear o crescimento da deputada Paula Titan. A intenção, nos bastidores, era clara: eleger a esposa e dificultar a reeleição da deputada e, de quebra, impedir que ela chegasse fortalecida ao cenário de 2028, já que na cidade modelo até os papudinhos dizem na feira que Paula é a sucessora do pai Titan, que já foi prefeito quatro vezes.
Enfrentando uma candidatura apoiada pela máquina municipal, Paula Titan resistiu, mostrou força nas urnas e saiu politicamente maior. O que deveria ser uma barreira acabou funcionando como vitrine. O resultado redesenha o tabuleiro de Castanhal e coloca Paula como um dos principais nomes da oposição para a próxima disputa municipal. Paula que foi reeleita com mais de 57 mil votos deputada estadual conseguiu 29.389 votos em Castanhal, contra 16.375 votos da esposa do prefeito.
A conta política chegou

Se a estratégia estadual não saiu como planejado, a eleição também deixou uma conta política para Hélio Leite administrar. Depois do apoio decisivo recebido de Helder Barbalho na eleição municipal de 2024, esperava-se uma reciprocidade à altura em 2026. Mas, nas urnas de Castanhal, o resultado foi bem diferente do esperado: Helder terminou apenas em 3º lugar na disputa pelo Senado.
Na eleição de governo, o cenário também foi desconfortável para o grupo. Hana Ghassan ficou quase 20 mil votos atrás de Daniel Santos em Castanhal, mesmo contando com o peso político do grupo governista. Para uma liderança municipal que pretendia ampliar seu espaço e construir musculatura para os próximos capítulos, os números de 2026 soam como um alerta. A máquina até pode continuar funcionando, mas o eleitorado parece ter apertado o botão de “modo econômico”.
As apostas na região

A região nordeste salgada do Pará chegou com muitas apostas para deputado estadual. Entre os nomes no tabuleiro estavam Marcos Cézar, ex-prefeito de São Francisco do Pará; Riachão, ex-prefeito de Igarapé-Açu; Paulo Henrique Gomes, ex-prefeito de Salinópolis; Júnior da Saúde, irmão da prefeita de Timboteua e o atual deputado Renato Oliveira, de origem bragantina.
Para resumir bem rápido: Renato Oliveira foi a sensação eleitoral ultrapassando a barreira de 73 mil votos e Paulo Henrique Gomes se elegeu em segundo no próprio Avante com mais de 54 mil votos. O resto tudo patinou e nem saiu na foto.
Allen Pelo Pará entra para a história

O jovem Allen Rechene, o Allen Pelo Pará, conquistou mais de 44 mil votos em todo o estado na disputa para deputado federal. Comunicador nas redes sociais, ganhou notoriedade com vídeos críticos ao governo de Helder Barbalho e declarou apoio a Doutor Daniel.
Em Maracanã, Allen passa a integrar a história das grandes votações de nativos e filhos adotivos do município. No ranking das melhores votações para prefeito, aparecem Reginaldo Carrera (14.139 votos, em 2024), Professora Dica (10.545, em 2012), Tinô dos Santos (9.826, em 2008), Reginaldo Carrera (9.172, em 2020), Geovan Martins (8.300, em 2024), Ícaro Gomes (7.685, em 2012) e Rafael Reis (7.561, em 1996).
Embora Allen tenha disputado outro cargo e em circunscrição estadual, sua votação marca um novo capítulo na projeção política de um jovem ligado a Maracanã, mesmo não tendo muita desenvoltura em sua terra natal, onde obteve 413 votos . O nome agora está escrito na história eleitoral do município!
A despedida de dona Elcione

Dona Elcione Zaluth Barbalho completou 82 anos no dia 5 de outubro, um dia após a eleição que marcou sua despedida das urnas. Depois de inúmeros mandatos como deputada federal, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará e não conseguiu se eleger.
Sua projeção política começou quando foi primeira-dama do Pará por duas vezes, durante o casamento com Jader Barbalho. Construiu uma longa trajetória parlamentar e, em 2018, ganhou também o título de mãe do governador do Estado.
A política paraense se despede de uma personagem que atravessou gerações e marcou sua história.
A força de Renato Oliveira

Na feira de Bragança, o comentário era de que não repetiria sequer os poucos mais de 9 mil votos que havia conquistado em sua terra natal na primeira eleição em 22. Ledo engano! O cabra mostrou força e ultrapassou os 13 mil votos na terra do cajuaçu.
Também havia quem duvidasse de seu desempenho nos demais municípios, apesar do apoio de alguns prefeitos. Pois Renato foi além das expectativas e se elegeu com folga, alcançando uma das maiores votações para deputado estadual, no patamar de mais de 73 mil votos.
Na política, o barulho das apostas nem sempre combina com a resposta das urnas!
O próximo capítulo de Marcelo Pierre

Marcelo Pierre, de Capanema, não conquistou uma vaga na Câmara Federal, mas a eleição de 2026 certamente deixará marcas em sua trajetória política. Primeiro aliado declarado de Daniel na região dos Caetés, saiu das urnas com um feito importante no cenário local, superou, em votos na sua cidade natal, os candidatos a deputado federal apoiados pelos grupos do prefeito Claudionor Moreira e do ex-prefeito Chico Neto, ambos alinhados à candidatura de Hana Ghassan.
Agora, nas esquinas de Capanema, uma pergunta começa a ganhar força: será Marcelo o nome para disputar a Prefeitura em 2028, com as bênçãos do governador Daniel?
A eleição acabou, mas o próximo capítulo dessa história já começou a ser escrito.
Carlamania, uma marca política que ganhou força em Viseu

Carla Parente já tem uma marca política própria em Viseu: a Carlamania. Convocada pelo PSB para disputar uma vaga na Câmara Federal, ela entrou na corrida e conquistou 13.881 votos, mesmo diante de candidaturas com forte estrutura política. O resultado superou os 10.629 votos atribuídos a Lu Ogawa que se elegeu federal, contando com o apoio do seu irmão prefeito de Barcarena e apoiado pelo atual prefeito de Viseu, Cristiano Vale.
Sem conquistar a cadeira em Brasília, Carla mantém os olhos voltados para sua terra natal. A Prefeitura de Viseu está no horizonte, e a votação expressiva reacende as atenções sobre seu futuro político. Em poucos dias de campanha, ela consolidou uma marca que agora terá de transformar em articulação política, mas, definitivamente entrou no radar.
Prefeito popular também perde eleição

A eleição de 4 de outubro deixou uma pergunta para a política paraense: até onde vai a força dos prefeitos na hora de transferir votos? Hana Ghassan contou com o apoio de cerca de 140 das 144 prefeituras do Pará, mas Dr. Daniel venceu a disputa estadual em primeiro turno e conquistou importantes colégios eleitorais.
Em Belém e Santarém, por exemplo, Hana não conseguiu superar Daniel, mesmo com o apoio declarado dos gestores municipais.
Em Paragominas, o prefeito Sidney Rosa manteve parceria com Hana, que esteve no município anunciando investimentos. Daniel venceu ali por 59,95% contra 39,11% de Hana. Em Castanhal, Daniel venceu por 57,08% contra 38,99%. E por ai vai…
Abimael Silva e o rio Tocantins

Doutor Daniel contou com pessoas de sua confiança para articular sua campanha nas diferentes regiões do Pará, assim como a de sua esposa, reeleita deputada federal.
Para o Baixo-Tocantins, a partir de Abaetetuba, a missão foi confiada ao professor Abimael Silva, natural de Maracanã e hoje uma das figuras de destaque na área da educação em Ananindeua.
Com raízes no nordeste paraense e atuação na educação, Abimael passou a integrar a articulação política de Daniel numa região estratégica do estado. Agora, os próximos passos dessa relação política merecem atenção.
Até a próxima!

