Ele está no meio de nós
Entre autoridades, lideranças religiosas e milhares de fiéis, a cidade de Capanema celebrou os 50 anos dos tradicionais tapetes de Corpus Christi, uma das mais belas manifestações de fé da região dos Caetés e do Brasil. A programação reuniu nomes da política como sempre, a governadora Hana, o ex-governador Helder e uma “ruma” de deputados de todas as matizes, além da presença marcante dos arcebispos: o atual Dom Manoel Filho e o Ex Dom Carlos Verzeletti.
Mas, curiosamente, a imagem que mais repercutiu nas redes sociais não foi a de nenhuma autoridade. Foi a fotografia de um andarilho, um mendigo, caminhando entre os tapetes, sem seguranças, sem protocolos, sem holofotes e, respeitosamente, sem pisar na arte construída pelos fiéis durante a noite anterior. Em sua simplicidade, a cena pareceu traduzir o tema escolhido para a celebração dos 50 anos. Em meio à multidão, à fé e à invisibilidade social que tantas vezes passa despercebida, a imagem revelou uma mensagem poderosa: Ele está no meio de nós. Tudo pareceu como se fosse Jesus Cristo encarnado nos que mais sofrem.
Uma cena que talvez faça a sociedade refletir melhor sobre fé, solidariedade e política!
Efeito Raimundão nos Caetés

A política da região dos Caetés ganhou novos capítulos — e daqueles que fazem muita gente recalcular rota, estratégia e até discurso. É que uma recente decisão do Superior Tribunal de Justiça devolveu a elegibilidade ao ex-prefeito de Bragança, Raimundão, figura conhecida em todo o Nordeste Paraense e que atende, sem qualquer constrangimento, pelo apelido de “Raimundo Corno“.
O efeito da notícia foi semelhante ao de uma pedra lançada em lagoa parada: as ondas chegaram rapidamente aos gabinetes, grupos de WhatsApp e rodas de conversa da região. Não demorou para Raimundão anunciar que está candidatíssimo a deputado estadual.
E como política é matemática, mas também é geografia eleitoral, a movimentação já provoca especulações sobre os caminhos na cidade bragantina que serão percorridos por nomes que sonham com uma vaga na Alepa em outubro. Entre eles, o atual deputado Renato, a filha do prefeito Estrela, de Augusto Corrêa, Leonardo Vale, irmão do prefeito de Viseu, e uma lista de pré-candidatos que agora observam o cenário com atenção redobrada.
Enquanto alguns fazem contas, Raimundão faz o que sempre gostou de fazer: andar. No seu estilo inconfundível — bermuda e camisa polo — já colocou o pé na estrada. E quem conhece a política bragantina sabe que subestimar sua capacidade de mobilização pode ser um erro tão grande quanto sair para campanha sem combustível.
Por enquanto, ninguém sabe onde essa caminhada vai terminar. Mas uma coisa é certa: a corrida eleitoral nos Caetés acaba de ganhar um competidor que entrou no jogo fazendo mais barulho que muito candidato que já estava aquecendo há meses. E dizem lá no Beiradão que ele pode sair da Pérola dos Caetés com mais de 25 mil votos. Será?
O fim de uma era no pescado paraense

A decretação da falência da Ecomar Indústria de Pesca S.A., da Meridional Indústria de Pesca Ltda. e da Vigia Indústria e Comércio de Pescados marca o encerramento de um dos capítulos mais emblemáticos da história econômica de Vigia de Nazaré. Durante décadas, as empresas foram símbolos da força do setor pesqueiro paraense, gerando empregos, movimentando a economia e ajudando a consolidar o município como uma das principais referências do pescado no Estado. Assim também como foi a Delmar Pescados na cidade de Maracanã no passado.
A decisão judicial apenas formaliza uma realidade que vinha se desenhando há anos, após sucessivas dificuldades financeiras e um longo período de recuperação judicial. Mais do que o fechamento de empresas, o momento representa a despedida de uma época em que a indústria pesqueira impulsionava sonhos, sustentava famílias e movimentava toda uma cadeia produtiva, dos barcos aos mercados.
Fica a memória de uma atividade que ajudou a construir a identidade econômica de Vigia e o desafio de encontrar novos caminhos para que a tradição pesqueira continue sendo uma das marcas do município. Agora vai entender, o estado do Pará com uma imensidão de costa na ilharga do oceano Atlântico continua remando contra a maré somente na pesca artesanal, importante, mas insuficiente, para gerar empregos e desenvolvimento ágil.
Clube Musical de Maracanã e recondução

Quando uma eleição termina antes mesmo de começar, o recado costuma ser claro. Foi exatamente o que aconteceu no Clube Musical Eládio d’Almeida (CMEA), onde a musicista Ritinéia Costa foi reeleita por aclamação no último dia 9 de junho. Sem concorrentes na disputa, sua permanência à frente da instituição por mais dois anos foi confirmada de forma unânime pelos sócios e integrantes do tradicional clube musical de Maracanã.
A recondução reflete o reconhecimento ao trabalho desenvolvido e à dedicação demonstrada na condução de uma das mais importantes referências culturais do município. Em tempo, o belo prédio histórico que abriga a Banda pertenceu a Arte Real da Maçonaria e foi doado ao município na gestão do prefeito Tinô dos Santos, por iniciativa do então secretário de educação, Ícaro Gomes, que manteve os traços e o piso em mosaico que marca a ordem maçônica.

Hélio Leite e os Feitosas

Na cidade modelo de Castanhal não se fala em outra coisa: o rompimento e a demissão do secretário de obras do município e ex-prefeito de Inhangapi, Egilásio Feitosa. Os irmãos Feitosa – José e Egilásio, de Inhangapi, apostaram suas fichas no projeto político de Hélio Leite em 2024 e acreditavam que o acordo para 2026 estava sacramentado, que era o apoio ao pré-candidato a deputado estadual Watanabe Filho, de Santa Izabel do Pará. Mas bastou o calendário eleitoral se aproximar para o roteiro mudar.
Com a entrada da esposa do prefeito de Castanhal na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, aliados históricos passaram a enxergar sinais de turbulência. Nos bastidores, a avaliação é de que mais uma vez antigos compromissos ficaram pelo caminho. Então, restou aos “Feitosas” becarem o beco.
A fila que transbordou para as redes

A regulação de leitos foi criada para organizar o acesso à saúde pública, estabelecer critérios técnicos e impedir que a influência política definisse quem seria atendido primeiro. No papel, a proposta era justa. Na prática, porém, a crescente quantidade de apelos nas redes sociais revela que o sistema enfrenta dificuldades para dar vazão à demanda.
Diariamente, familiares recorrem à internet em busca de uma vaga para parentes internados em UPAs, hospitais municipais e leitos improvisados pelo interior do Pará. Há relatos de pacientes aguardando por semanas, alguns por mais de 30 dias, a transferência para unidades especializadas.
O resultado é um fenômeno que chama atenção: a fila da regulação saiu dos computadores e ganhou as redes sociais. Muitas famílias batem às portas do Ministério Público buscando agilidade. Enquanto os critérios técnicos continuam sendo a regra oficial, o desespero de quem espera por atendimento transforma cada postagem em um pedido público de socorro. Afinal, quando a espera se prolonga demais, a urgência deixa de ser apenas médica e passa a ser também humana. Enquanto isso também nas redes sociais, o governo do Estado faz cara de paisagem para o problema.
Meu Pará, Meu Pará!
O Senado parece logo ali, mas…

Se há algo que os bastidores da política paraense indicam, é que o ex-governador Helder Barbalho chega à disputa pelo Senado em posição bastante confortável e em céu de brigadeiro. Após deixar o governo com elevados índices de aprovação e forte presença em todas as regiões do Estado, a impressão predominante é de que uma das duas vagas em jogo está muito bem encaminhada para o EX.
O desafio, porém, parece estar em outro endereço. Embora seu grupo político reúna uma ampla base de prefeitos, deputados, vereadores e lideranças espalhadas pelo Pará, além da força administrativa do governo estadual, as pesquisas continuam apontando um cenário mais competitivo para a sucessão no Executivo. Em outras palavras: enquanto o caminho para Brasília parece pavimentado, a missão de garantir a continuidade do grupo no Palácio dos Despachos ainda reserva curvas, dúvidas e uma disputa que promete ser mais acirrada do que muitos imaginavam.
Tesouro “descoberto” em Colares

O mistério envolvendo peça histórica encontrada na região amazônica ganhou novos capítulos nos últimos dias, quando anunciado um objeto recuperado no município de Colares, na costa paraense. Após especulações sobre o possível objeto ter valor arqueológico e cultural e publicação de fotos nas redes sociais, internautas identificaram um vaso semelhante sendo anunciado para venda por uma empresa do Irã em uma plataforma internacional de comércio eletrônico.
Logo disseram os internautas se tratar de fraude. A descoberta reacendeu debates e teorias nas redes sociais. Afinal, trata-se apenas de uma coincidência, de uma peça semelhante reproduzida comercialmente ou existe alguma ligação com os artefatos encontrados por aqui? Enquanto especialistas e autoridades buscam respostas, a internet segue fazendo o que mais gosta: transformando cada detalhe em combustível para novas investigações digitais. Em tempos de redes sociais, um simples anúncio pode atravessar continentes e alimentar um enigma que parece estar longe do fim.
Nome de cidade não se discute… ou se comenta

Uma publicação nas redes sociais listando as 20 cidades com os nomes mais curiosos do Brasil voltou a despertar o bom humor dos internautas. Entre os destaques aparecem municípios como Não-Me-Toque, Anta Gorda, Pau dos Ferros, Sem-Peixe e Feliz Natal, provando que a criatividade geográfica brasileira não conhece limites.
Para orgulho paraense, Curralinho, no arquipélago do Marajó, garantiu seu lugar na relação e manteve o velho ditado paraense “que não se pode formar um casal com quem nasce em Curralinho no Pará e Ponta Grossa no Paraná“. Mais do que arrancar sorrisos, esses nomes carregam histórias, tradições, influências culturais e curiosidades que atravessam gerações. Afinal, em um país de dimensões continentais, até o mapa é capaz de contar boas histórias — algumas delas bastante divertidas.
A febre dos slogans

Virou tradição na política brasileira: muda o gestor, nasce um slogan. De norte a sul do país, prefeituras, governos estaduais e até o governo federal investem em frases de efeito para marcar gestões, criar identidade e tentar aproximar a administração da população. “Tempo de reconstrução”, “Governo do Povo”, “Trabalho e desenvolvimento”, “União e progresso” e tantas outras expressões já fizeram parte da paisagem institucional brasileira.
A criatividade é tanta que às vezes o slogan acaba ficando mais famoso que algumas obras. E imagine se essa moda fosse global. Como seria ler em uma placa: “Prefeitura de Londres – Construindo pontes para o futuro”, ou “Cidade de Paris – Quem ama cuida”? Talvez os ingleses achassem curioso o entusiasmo brasileiro em resumir governos em poucas palavras. Por aqui, porém, slogan virou quase item obrigatório da administração pública, uma espécie de sobrenome político de cada gestão. Afinal, governar é importante, mas parece que governar com uma frase de impacto virou indispensável.
Novos rostos no horizonte?

As primeiras movimentações para a campanha que chega em agosto de 2026 começam a revelar nomes que podem surpreender na disputa por vagas na Câmara Federal. Dois deles chamam atenção por trajetórias recentes: Marcelo Pierre, de Capanema, e Adamor Bittencourt, de Abaetetuba.
Adamor ganhou projeção ao disputar a Prefeitura de Abaetetuba e perder por uma diferença mínima de votos, resultado que o manteve em evidência política. Já Marcelo Pierre foi vereador, secretário municipal e candidato a deputado estadual na última eleição, quando foi o mais votado de sua cidade Capanema, e embora não tenha alcançado a vitória, preservou capital político e presença regional.
O que há em comum entre os dois? Ambos aparecem bem posicionados nas primeiras pesquisas, impulsionados principalmente pela força eleitoral de seus municípios e áreas de influência. Em um cenário em que o eleitor costuma reclamar da repetição dos mesmos nomes, Pierre e Adamor podem surpreender no tabuleiro político paraense.
Ainda é cedo para previsões definitivas, mas a pergunta já circula nos bastidores: estará o Pará preparando uma nova safra de representantes para ocupar cadeiras em Brasília? Ou os nomes de famílias tradicionais e de peso continuarão dando as cartas? O tempo e as urnas dirão.



