Farra das festas | Municípios do Pará gastaram quase R$ 80 milhões com grandes shows

Variedades

Os gastos com grandes shows financiados por recursos públicos voltaram ao centro do debate nacional após a divulgação do relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, elaborado pelo Observatório “De Olho nos Ruralistas“. A investigação analisou mais de 20 mil contratos firmados por prefeituras e governos estaduais desde 2024 e revelou que apenas 40 artistas receberam R$ 3,08 bilhões em cachês pagos com dinheiro público.

No Pará, um levantamento baseado nos dados do relatório mostra que 146 contratos de apresentações artísticas foram firmados por prefeituras paraenses, somando R$ 79,35 milhões em cachês destinados a artistas que integram o ranking nacional da pesquisa.

O maior pagamento individual identificado foi de R$ 1,2 milhão, destinado pela Prefeitura de Santana do Araguaia para um show do cantor Wesley Safadão. Também aparecem contratos de R$ 1 milhão para apresentações de Simone Mendes, em Tucuruí, Ana Castela, em Breu Branco, e Zezé Di Camargo, em Marabá.

                             Wesley Safadão

O estudo também evidencia a concentração dos contratos em poucas empresas do setor de entretenimento. A Camarote Shows, ligada ao cantor Wesley Safadão, lidera o volume financeiro no Pará, com cerca de R$ 16,18 milhões distribuídos em 32 apresentações. Em seguida aparecem a Vybbe, associada ao cantor Xand Avião, com aproximadamente R$ 13,57 milhões, e a Full Produções, com R$ 13,26 milhões. Outras produtoras também figuram entre as principais contratadas, demonstrando forte concentração do mercado de shows financiados pelo poder público.

                            Xand Avião

Outro ponto abordado pelo dossiê envolve a relação entre eventos financiados com recursos públicos e a destinação de emendas parlamentares. No Pará, o relatório destaca o caso de Tucuruí, onde o prefeito Alexandre Siqueira é casado com a deputada federal Andreia Siqueira, autora de aproximadamente R$ 16,7 milhões em transferências por meio de emendas Pix ao município. O próprio levantamento ressalta, entretanto, que não é possível afirmar que esses recursos tenham sido utilizados diretamente para o pagamento de shows, devido à baixa rastreabilidade desse tipo de transferência orçamentária.

Embora festivais, aniversários de municípios, festas juninas, veraneios e eventos culturais movimentem a economia, atraiam turistas e gerem renda para comerciantes e trabalhadores informais, especialistas defendem que essas despesas devem ser acompanhadas de ampla transparência. A divulgação dos contratos, dos critérios utilizados para definição dos cachês e da origem dos recursos públicos é considerada essencial para fortalecer o controle social e a fiscalização. Como se sabe, o dinheiro da emenda parlamentar no caso de um show se evapora e duas horas.

Da Redação

Ícaro Gomes

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