Por Emanuel Pereira
Alzira era uma menina inteligente, dedicada aos estudos e motivo de orgulho para a família. Concluiu o Curso Primário com excelentes resultados, e todos acreditavam que seu destino seria seguir para Belém, continuar os estudos e, quem sabe, tornar-se uma grande juíza.
Estava tudo preparado. Em uma manhã de março, início do ano letivo, ela embarcou no tradicional pau-de-arara rumo à capital. Entre abraços, lágrimas e despedidas, alguém perguntou:
— Até quando, Alzira?
Com a voz embargada, respondeu:
— Talvez pelo Círio… quem sabe.
A família ficou com o coração apertado, mas cheia de esperança, acreditando que aquele era o primeiro passo para um futuro promissor.
Só que a saudade falou mais alto.
Dois dias depois, para surpresa de todos, o mesmo pau-de-arara parou novamente na cidade. Dele desceu Alzira, incapaz de suportar a distância de casa.
A cena arrancou risos, comentários e, principalmente, uma expressão que acabou entrando para o folclore popular de Maracanã. Sempre que alguém iniciava uma viagem, um projeto ou uma mudança que dificilmente iria adiante, logo surgia a pergunta bem-humorada:
— Até quando, Alzira?
Mais do que uma simples história, a expressão tornou-se uma forma divertida de lembrar que, às vezes, o coração fala mais alto do que os planos.
Nota: Alzira dos Santos Barroso, fez sua páscoa no último dia 24 de julho, aos 82 anos, na cidade de Maracanã. Leia no Blog, Link: Aqui

