Fechamento com algumas brechas?
No próximo dia 15 de dezembro, a Câmara Municipal de Maracanã reúne seus vereadores para eleger a nova Mesa Diretora e o presidente que comandará o Legislativo no biênio 2027/2028. Por lá, um grupo de parlamentares vem se articulando há meses e até adotou o nome de “Fechamento”, com a intenção de montar uma chapa completa e garantir o comando da Casa.
Mas, como em política nem todo fechamento é à prova de brechas, já circulam pelos botecos da vida – após postagem do Blog – comentários de que alguns vereadores estariam mantendo conversas discretas com outros possíveis candidatos. Será que o grupo está tão fechado assim ou já tem gente procurando outra porta de entrada?
Até 15 de dezembro, muita conversa ainda vai acontecer. E, na política, às vezes o voto mais difícil de conquistar é justamente aquele que já estava combinado.
Lula IV

Na dança das cadeiras em Brasilia, o presidente reeleito Lula da Silva, já de olho no quarto mandato que começa dia 5 de janeiro, prepara uma ampla reorganização no governo, com mudanças que podem ir muito além dos ministérios. A reforma deve alcançar o coração do Palácio do Planalto, com possíveis trocas que vão da chefia de gabinete à Casa Civil.
Na terra cadanga, quando as peças começam a se movimentar, ninguém ocupa cadeira cativa. Afinal, é o mesmo presidente da república, mas governo novo, mandato nascido de uma movimentação jovial, ampla os velhos conhecidos poderão ceder as novas caras que dominaram a campanha de Lula no segundo turno. Será?
Daniel I

Já no governo do Pará, não haverá dança de cadeiras, mas, troca geral de cadeiras. Novos quadro e novos movéis. As primeiras peças do governo Daniel, já começam a aparecer e em breve muitos nomes do secretariado serão anunciados. O relógio da política paraense já está contando os dias para a chegada do novo governo, que começa em 5 de janeiro. E, como toda nova gestão, a montagem do secretariado desperta curiosidade, especulações e muita movimentação nos bastidores.

Até agora, o primeiro nome anunciado oficialmente foi o do advogado Vinícius Borba para comandar a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS). Com cerca de 20 anos de advocacia, atuação nas áreas ambiental e agrária, produtor rural e presidente da Associação dos Produtores Rurais Independentes da Amazônia (APRIA), Borba chega com forte ligação com o setor produtivo e a defesa dos interesses do agronegócio. O desafio será conciliar produção, segurança jurídica e preservação ambiental. As entidades ambientais já fazem “beicinho” ao perfil do escolhido.
Na Educação, os bastidores apontam a professora Leila Freire como nome praticamente definido. Experiente na gestão pública, ela já comandou a Educação em Ananindeua, Benevides e também a própria Secretaria de Estado de Educação, reunindo conhecimento da rede municipal e estadual. É nome respaldado pelos que atuam na área.
Por enquanto, são apenas as primeiras peças de um tabuleiro que ainda está sendo montado. A expectativa é conhecer os demais nomes e entender o desenho político e administrativo da nova gestão já no mês de dezembro. Afinal, ganhar a eleição foi o primeiro grande desafio; agora, é hora de mostrar a que veio.
A campanha dos aliados “desesperados”

Doutor Daniel teve o privilégio político ímpar de conquistar o Governo do Pará ainda no primeiro turno. Uma vitória que, além de histórica, poupou o governador eleito de uma segunda etapa eleitoral e de compromissos políticos que, inevitavelmente, poderiam engessar suas escolhas na montagem do primeiro e segundo escalões da nova gestão.
Mas, enquanto o novo governador organiza as peças do tabuleiro, alguns aliados já estão em plena campanha por uma cadeira especial no futuro governo. Nos bastidores, há quem invista em portais e blogs para fazer circular nomes como supostos cotados para secretarias e cargos estratégicos. O detalhe é que, em alguns casos, a propaganda parece maior que o currículo, e experiência em gestão pública não é exatamente o ponto forte de todos os postulantes.
Quem conhece mais de perto Doutor Daniel garante que seu estilo é diferente. Não é afeito a autopromoção, não aprecia bajulação e, segundo aliados, dificilmente adotará práticas como a exposição de fotografias oficiais nas repartições públicas – assim como foi em Ananindeua -, tão comuns em governos anteriores. Daniel parece querer construir uma marca administrativa própria, sem culto à personalidade.
Maracanã com espaço no novo governo

Maracanã poderá ter dois de seus filhos ocupando posições estratégicas no novo governo do Pará. O comunicador social Allen Rechene (Novo), que disputou uma vaga na Câmara Federal e ultrapassou a marca de 44 mil votos, e o professor especialista Abimael Silva, gestor escolar em Ananindeua e presidente do Conselho de Educação, aparecem no radar das articulações para a nova gestão estadual.

Allen chega com a experiência da disputa eleitoral e uma votação expressiva, que também lhe conferiu visibilidade no cenário político paraense, já esteve com Daniel pós eleição e anunciou que terá um novo desafio em 2027 na gestão. Já Abimael reúne uma trajetória ligada à educação e à gestão pública, tendo começado como gestor da escola da vila de Martins Pinheiro no campo das Mangabas, além de uma longa relação de amizade e parceria com o governador eleito, Doutor Daniel.
Mudança de lado, malas prontas!

Pelos corredores da assembleia legislativa paraense, o movimento já começou faz tempo. Alguns deputados estaduais e deputadas parecem estar com as malas prontas, cuias, periquito e papagaio incluídos, para se despedir do antigo comando e buscar abrigo no gauarda-chuvao do governador eleito, Doutor Daniel. Afinal, como diz o velho ditado: “Rei morto, Rei posto!”.
Nos bastidores da Alepa, os comentários dão conta de que uma parcela expressiva dos parlamentares que se reelegeram e os novos eleitos já estaria alinhando os ponteiros para iniciar 2027 garantindo governabilidade a nova gestão. E, pelo visto, a transição política promete ser tão movimentada quanto a administrativa.
Da Região Salgada aos Caetés, passando pelas águas doces e pelos quintais do Lago Azul, há quem diga que alguns representantes já organizaram a mudança e não pretendem sequer olhar pelo retrovisor para dar “tchau” ao antigo grupo.
Na política, as alianças também têm prazo de validade, e a fidelidade costuma ser testada quando muda o endereço do poder. Em janeiro, saberemos quem realmente mudou de endereço e quem ainda vai esperar para entregar as chaves. Mas, já se fala em maioria garantida.
A Esplanada vai ter venda de açai?

Pelo que andam publicando alguns portais e blogs sobre os possíveis ministros do governo Lula IV, daqui a pouco os paraenses estarão ocupando mais da metade da Esplanada dos Ministérios. Na lista de apostas dos bastidores aparecem o senador eleito Helder Barbalho, a atual governadora Hana, o ex-ministro Celso Sabino, o deputado federal eleito Jader Filho e o senador Beto Faro. Desse jeito, Brasília vai precisar aprender a falar com sotaque “Tedoidé??“
A movimentação lembra uma velha história atribuída a Tancredo Neves. Pressionado por um compadre de sua terra natal que queria ser ministro, teria ouvido dele um pedido insistente. Tancredo resolveu a situação com uma saída elegante: “Compadre, diga que eu lhe convidei, mas você não aceitou”.
Com tanta gente cotada, talvez seja melhor guardar a frase de Tancredo para alguma emergência. Nunca se sabe. Mas, tomara que muitos paraenses assumam Ministérios, afinal a Amazônia é gigante e precisa ter presença no governo. Paraenses na torcida!
O novo cenário municipal

Em várias cidades do Pará, a conversa que movimenta os bastidores políticos é de como ficará o novo desenho das forças municipais depois da eleição de Doutor Daniel em primeiro turno. As correntes tradicionais continuam de pé, com suas lideranças e espaços já consolidados. Mas o novo cenário estadual começa a provocar movimentos tupiniquins.
Com o embalo e a força política do novo governo, surgem novas lideranças e, curiosamente, também aquelas que já estavam no jogo, mas agora parecem ganhar um novo fôlego, uma espécie de oxigênio político. É o prenúncio de uma reorganização que pode mexer com alianças, projetos e, principalmente, com as eleições municipais de 2028.
Diga-se de Passagem, quando muda o vento no Palácio, não demora muito para as bandeiras começarem a mudar de direção nos municípios, haja vista que houve um renascimento nos sonhos de muitos que eram considerados carta fora do baralho e que voltaram ao jogo com um olho no peixe e outro no ano de 2028.
O efeito Daniel e os novos protagonistas da política paraense

A eleição de Daniel em primeiro turno deixou marcas que vão muito além do Palácio dos Despachos. Em várias cidades e regiões do Pará, o chamado movimento Daniel também acabou projetando lideranças que agora passam a ocupar outro espaço no tabuleiro político estadual.
É o caso de Adamor Bittencourt, em Abaetetuba; dos Fonsecas, no Oeste do Pará; do prefeito Toni Cunha e sua esposa Lanuzia eleita estadual, em Marabá; de Doutor Diogo Franco, no Sul do Estado; de Doutor Felipe, em Parauapebas; do deputado estadual eleito JK do Povão, em Santarém; de Marcelo Pierre, em Capanema; da vice-governadora eleita Elaynne D’Almeida, em Itaituba; dos Barras, Bob Flay em Belém. São nomes que saem desse processo com maior visibilidade e protagonismo em suas respectivas regiões, colocando seus projetos políticos no horizonte de 2028, já que foram os pioneiros em colocar a cara no sol a favor de Daniel, quando ainda era só uma esperança de candidatura.
Do outro lado, há lideranças tradicionais que saíram das urnas com resultados abaixo das expectativas e agora precisam reorganizar seus grupos, rever alianças e pensar nos próximos passos. Afinal, daqui a pouco será hora de disputar a reeleição ou apresentar um sucessor.
A política paraense entrou em novo capítulo. E, nos municípios, muita gente já começa a olhar para 2028, mesmo sabendo que ainda há muita água para passar por baixo dessa ponte.
Raimundão teve votos, mas não teve vez

O festejado ex-prefeito de Bragança, Raimundão, que deixou uma gestão bem avaliada e ainda conseguiu eleger seu sucessor, o médico Mário Júnior, experimentou nas urnas uma daquelas surpresas que a política costuma reservar.
Na Pérola dos Caetés, onde protagoniza antigas disputas com o deputado estadual Renato Oliveira, a conversa na movimentada feira bragantina era de que Raimundão chegaria na cidade aos 30 mil votos, enquanto Renato dificilmente repetiria os 9 mil da eleição anterior. Mas as urnas contaram outra história: Raimundão ficou na casa dos 24 mil votos, e não muita coisa fora, ficando fora da nova composição da Alepa, enquanto Renato ultrapassou os 13 mil em Bragança e surfou em vários municípios, garantindo a reeleição com mais de 73 mil votos.

Agora, nos bastidores bragantinos, a conversa já é outra. Com Renato fortalecido eleitoralmente, começa a ser visto como uma liderança de peso para organizar a oposição a Mário Júnior em 2028, seja lançando um nome de seu grupo ou colocando o próprio nome na disputa.
Na próxima a gente conta mais!

