O Brasil aprendeu a conviver com um hábito que pouco combina com quem deseja voltar ao topo do futebol mundial: a pressa. A cada eliminação em Copa do Mundo, muda-se o técnico, questionam-se os jogadores e inicia-se um novo projeto. Quatro anos depois, o roteiro se repete.

Enquanto isso, a camisa mais vencedora da história continua carregando um legado que nenhum outro país conseguiu igualar. Foram cinco títulos mundiais — 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 — conquistados por gerações que entraram para a eternidade com nomes como Pelé, Garrincha, Tostão, Jairzinho, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Cafu e tantos outros gigantes do futebol.

Mas nem só de glórias vive a Seleção. O trauma de 1950, o doloroso 7 a 1 diante da Alemanha em 2014, as eliminações para Bélgica, Croácia Noruega e outros tropeços recentes mostram que o Brasil deixou de ser absoluto. Hoje, a diferença entre as grandes seleções é mínima, e vence quem trabalha melhor, não apenas quem tem mais talento.
É justamente nesse cenário que Carlo Ancelotti assume a missão de reconstruir a Seleção Brasileira. Um treinador multicampeão, respeitado no mundo inteiro, que chegou há pouco tempo e ainda sequer teve a oportunidade de desenvolver plenamente sua metodologia. Exigir resultados imediatos seria repetir um erro que o futebol brasileiro insiste em cometer há anos.

A Confederação Brasileira de Futebol precisa entender que um projeto vencedor não nasce em poucos jogos. É preciso dar estabilidade, autonomia e tempo para que uma ideia de futebol seja construída. As grandes seleções do mundo colheram resultados porque mantiveram seus projetos, mesmo diante de momentos difíceis.
E talento não falta ao Brasil. Vinícius Júnior, Rodrygo, Raphinha, Bruno Guimarães, Gabriel Martinelli, Endrick, Estêvão, Rayan e outros jovens representam uma geração que pode marcar época. O desafio é fazer com que esses talentos atuem como um verdadeiro time, e não apenas como uma reunião de grandes jogadores.
O futebol brasileiro sempre foi especialista em revelar craques. Agora, precisa voltar a ser especialista em formar equipes.
A sexta estrela continua sendo possível. Mas ela não será conquistada apenas pela tradição da camisa amarela, nem pela troca constante de treinadores. Será fruto de planejamento, continuidade, coragem para enfrentar críticas e confiança em um projeto.
O Brasil já ensinou o mundo a jogar futebol. Talvez tenha chegado a hora de reaprender uma lição simples: nenhuma Copa do Mundo é vencida na ansiedade. As grandes conquistas começam muito antes do apito inicial.
Da Redação
Ícaro Gomes

