Hana e Daniel, a superestrutura e as ruas

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A candidatura de Hana Ghassan chegou à disputa pela reeleição ao Governo do Pará com uma das maiores estruturas políticas já montadas no Estado. São 140 prefeitos, 39 dos 41 deputados estaduais e 14 dos 17 deputados federais apoiando o projeto, além de uma composição que reúne grupos políticos distintos em diversos municípios.

Em boa parte das cidades paraenses, o cenário chama atenção: prefeito(a) e oposição local estão no mesmo palanque de Hana e Helder Barbalho, numa demonstração da força de articulação política construída pelo grupo. Tem cidades em que há uma reunião com o grupo de oposição e um comício com os aliados do prefeito.

Mas, como bem se sabe, eleição não se ganha apenas com estrutura.

Nas ruas, começa a aparecer outro componente que pode pesar na disputa: o sentimento do eleitor. Em conversas, feiras, bairros e encontros pelo interior e na capital, é possível perceber que existe uma parcela da população falando em mudança, renovação e novas alternativas para o Estado. A última pesquisa encomendada pelo grupo Liberal e executada pela Quaest, apontou empate técnico, porém, colocando o ex-prefeito de Ananindeua, Doutor Daniel do Podemos com 28%, um ponto a mais que a atual governadora.

É justamente aí que estará um dos grandes desafios da campanha de Hana: transformar a força política acumulada nos municípios em voto espontâneo, fazendo com que o apoio de prefeitos, vereadores e parlamentares encontre eco no sentimento popular.

Nos bastidores, observadores da política paraense avaliam que estrutura política e sentimento popular são coisas diferentes — e que a eleição ainda será decidida na capacidade de cada candidatura de transformar apoio político em conexão com o eleitor.

É nesse ponto que entra uma das principais estratégias atribuídas à campanha de Doutor Daniel. Nos bastidores, circula a avaliação de que o candidato conseguiu construir uma narrativa de “Davi contra Golias”: a do candidato que enfrenta com coragem uma estrutura política muito maior, apresentada como poderosa, enquanto ele ocupa o papel do personagem que luta contra o sistema, é perseguido e precisa vencer apesar das adversidades.

A narrativa também explora a figura do herói improvável, aquele que não parte como favorito na estrutura, mas que pode crescer justamente por representar uma alternativa ao grupo que está no poder. Sem contar que Daniel é médico e foi justamente o médico Almir Gabriel que venceu estrutura similar em 1994.

E essa estratégia pode encontrar terreno fértil justamente no sentimento de mudança que começa a aparecer em diferentes conversas pelo Estado. Afinal, quanto maior a estrutura apresentada de um lado, maior pode ser, para o outro, o espaço para a construção de uma narrativa de contraponto.

É aí que a eleição começa a ficar mais interessante. Somente as urnas poderão nos responder…

 

Ícaro Gomes

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