EMPREENDER – Ekobé expande inovação ambiental de Maracanã para Icapuí no estado do Ceará

Meio Ambiente e Sustentabilidade Variedades

A sustentabilidade ultrapassa fronteiras geográficas, climáticas e culturais quando é sustentada por inovação, ciência e compromisso socioambiental. É com essa premissa que a Plataforma Territorial Ekobé inicia uma nova etapa de sua trajetória, expandindo sua atuação para além da Amazônia e levando ao Nordeste brasileiro um modelo de bioeconomia regenerativa já consolidado no Pará. A experiência inicial vivenciada consolidou-se em Maracanã, 160 quilômetros da capital Belém, no Pará, por meio do projeto Ekobé Parque.

Agora em parceria com a Prefeitura Municipal de Icapuí, no estado do Ceará, será implantado um projeto piloto que tem como principal objetivo demonstrar, por meio de indicadores concretos, que comunidades tradicionais, preservação ambiental e atividade produtiva podem coexistir de forma harmoniosa e economicamente viável.

Reconhecida por promover a rastreabilidade e a valorização dos ativos da sociobiodiversidade, a Plataforma Territorial Ekobé reforça sua missão de conectar territórios sustentáveis ao mercado global. Em Icapuí, a iniciativa utilizará resíduos gerados por comunidades locais e pelo setor pesqueiro, incluindo a carcinicultura, transformando esses materiais em insumos de alto valor agregado para a agricultura regenerativa.

A proposta prevê a produção de dois importantes bioinsumos: o biocalcário biogênico e o biochar. Ambos apresentam características multifuncionais, contribuindo para a recuperação de solos degradados, melhoria da fertilidade agrícola e ampliação da capacidade de sequestro de carbono, aspecto cada vez mais estratégico diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

A convite do presidente do Conselho Ambiental da FIEPA o Ekobé apresentou o projeto no evento da FIPA

 

Inicialmente, o projeto utilizará tecnologias já desenvolvidas pela Ekobé, enquanto estudos técnicos identificarão quais resíduos locais possuem maior potencial de transformação. Entre as possibilidades analisadas está o aproveitamento do resíduo do coco, alternativa que ainda se encontra em fase preliminar de avaliação.

O modelo replicado em Icapuí segue a mesma metodologia aplicada com êxito em Maracanã, no Pará, sob a liderança do empreendedor ambiental André Nogueira. A expansão do projeto evidencia que soluções sustentáveis não pertencem a um único bioma ou território, mas podem ser adaptadas e reproduzidas em diferentes realidades, promovendo desenvolvimento econômico, inclusão social e regeneração ambiental.

Primeiros Passos em Icapuí

A materialização dessa nova fase do Ekobé já começou a ganhar forma em Icapuí. Na última quinta-feira, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente (SEDEMA) recebeu a equipe técnica do Ecobé Parque para uma agenda estratégica voltada à avaliação do potencial produtivo e ambiental do município.

Durante a visita, foram realizadas inspeções técnicas nas empresas Icapel e CH Pescados, importantes empreendimentos da cadeia produtiva local. O objetivo foi identificar oportunidades para o reaproveitamento de resíduos biogênicos atualmente descartados, transformando-os em biochar, um insumo de elevado valor ambiental e agronômico, reconhecido por sua capacidade de regenerar solos, armazenar carbono e fortalecer sistemas produtivos sustentáveis.

A iniciativa representa um passo importante na construção de uma economia circular capaz de converter passivos ambientais em ativos econômicos, agregando valor às cadeias produtivas locais e ampliando as oportunidades para agricultores familiares e comunidades tradicionais.

Como desdobramento da agenda, o próximo passo será a formalização de um Acordo de Cooperação Técnica entre a SEDEMA e a Ecobé Parque, instrumento que viabilizará a implantação de um projeto-piloto pioneiro no município. A expectativa é que a parceria transforme Icapuí em uma referência nacional na utilização inteligente de resíduos orgânicos para a geração de bioinsumos regenerativos e créditos de carbono de alta integridade ambiental.

Ao conectar Amazônia e Nordeste por meio da bioeconomia, a Plataforma Territorial Ekobé reafirma que o futuro da sustentabilidade está na capacidade de transformar desafios locais em oportunidades globais, demonstrando que inovação, desenvolvimento e preservação podem caminhar lado a lado em qualquer território.

Da Redação

Ícaro Gomes

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