Por Emanuel Pereira
A cidade de Maracanã ainda dorme – lá no outro lado do rio, um escalão já está de pé. Acordou cedo com o primeiro cantar do galo da madrugada.
São alunos ribeirinhos a caminho da cidade em busca de aprendizagem e conhecimentos.

Vão caminhar estirões até a beira do rio, tomar a embarcação e seguir viagem.
Alguns, sem um cafezinho sequer para esquentar o estômago.
Morrinhentos, se agasalham como podem para espantar o frio.
Se encostam uns aos outros; o calor humano aquece e acalanta.
Já não são anônimos – são estudantes, futuro desta pátria amada.
Uma hora depois o barco atraca no trapiche e lá vão eles subindo a ladeira a caminho da escola.
Assim é a rotina dos nossos ribeirinhos, semana a semana encarando os aperreios e espremendo perseverança, combustível que os levará ao certificado do amanhã.
Já é meio-dia!
Almoço?
Só mais tarde. Não podem perder a hora da maré.
Amanhã a história se repete e os professores estarão os esperando para mais uma troca de aprendizagem.
É o mutirão da aprendizagem, do plantio da esperança que vai brotar a semente da vitória.

* O autor é professor, escritor, romancista e historiador das bandas salgadas do Pará.

