A realização da COP30 colocou o Pará no centro das discussões globais sobre o futuro do planeta. Pela primeira vez, uma conferência climática da dimensão da COP aconteceu no coração da Amazônia, levando para Belém chefes de Estado, cientistas, empresários e representantes de povos originários de diversos países. Os participantes puderam conhecer uma cidade bela, de gastronomia fantástica e patrimônio histórico relevante, descobriram que de barco com menos de meia hora encontram a ilha do Combu e poderão fazer uma verdadeira imersão amazônica. Mais do que um evento internacional, a conferência despertou uma expectativa legítima da população: quais transformações permaneceriam depois que os holofotes se apagassem?
Os primeiros resultados já podem ser observados em diferentes frentes. Temos que reconhecer que o forte investimento do governo federal com obras de mobilidade urbana, infraestrutura, requalificação de espaços públicos e melhorias na rede hoteleira foram acelerados para atender à demanda da conferência, transformaram-se num grande legado para a capital paraense, já que os visitantes foram embora, mas as melhorias ficaram para o povo do Pará. Além disso, Belém passou a integrar, de forma ainda mais intensa, o circuito internacional de debates sobre desenvolvimento sustentável, fortalecendo sua imagem como porta de entrada para a Amazônia.

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 80% da biodiversidade terrestre conhecida está concentrada em áreas tropicais, e a Amazônia desempenha papel estratégico na regulação do clima mundial. Já a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destaca que florestas preservadas são fundamentais para a segurança hídrica, alimentar e climática de milhões de pessoas.
No Pará, essa responsabilidade se transforma também em oportunidade. A valorização da bioeconomia, do turismo sustentável, da ciência e das cadeias produtivas ligadas à floresta abre espaço para novos investimentos, geração de empregos e fortalecimento das comunidades tradicionais. Produtos como o açaí, o cacau, os óleos vegetais e o artesanato regional passaram a ganhar ainda mais visibilidade no mercado nacional e internacional. Todavia, se faz necessários um projeto bem detalhado e capaz de incrementar o turismo, renda e empregos. As secretarias estaduais que cuidam das áreas, pouco têm a oferecer e hoje servem mais para abrigar apadrinhados políticos no governo.

Especialistas lembram, entretanto, que o verdadeiro legado da COP30 não será medido apenas pelas obras entregues ou pelos acordos assinados, mas pela capacidade de transformar os compromissos assumidos em políticas públicas permanentes. Educação ambiental, saneamento, transporte, conservação das florestas e inclusão social continuam sendo desafios que exigem planejamento de longo prazo.
A Amazônia deixou de ser apenas um tema ambiental para ocupar definitivamente o centro das decisões econômicas e geopolíticas do mundo. Para os paraenses, resta a esperança de que essa visibilidade internacional se converta em benefícios concretos para quem vive diariamente a realidade da maior floresta tropical do planeta.
Da Redação
Ana Paula Tenório
Imagens: Sandro Barbosa

