Por Ícaro Gomes
No coração da Amazônia, o Pará segue sendo O gigante econômico do Norte do Brasil. Entre rios caudalosos, estradas de terra e portos cheios de navios cargueiros, o estado mantém um dos maiores paradoxos da economia brasileira que está justamente na abundância de suas riquezas naturais e a falta de tecnologia. O estado é gigante na produção de minério, madeira, dendê, açaí, entre outros produtos, mas segue pequeno quando o assunto é industrialização. Na prática, o Pará continua sendo um grande fornecedor de matéria-prima bruta para o restante do Brasil e para o mercado internacional. E só!
Pará exporta riqueza bruta e importa desenvolvimento

O minério sai dos portos paraenses praticamente sem beneficiamento, a madeira muitas vezes segue apenas serrada e o dendê, cuja produção cresce ano após ano, ainda tem pouca agregação de valor dentro do próprio estado. Enquanto isso, produtos industrializados derivados dessas riquezas são fabricados em outros lugares, gerando empregos, tecnologia, arrecadação e desenvolvimento longe da Amazônia, ficando o povo “só vendo navios”.
Esse modelo econômico, herdado desde os tempos coloniais, mantém o Pará numa posição de exportador de riquezas naturais e importador de produtos industrializados. Ou seja, a floresta, a terra e o subsolo produzem bilhões, mas boa parte desse valor agregado é capturado fora daqui. Aqui a gente não ver a riqueza, ela passa pelo rio em nossas ventas.
Especialistas apontam que a mudança desse cenário passa necessariamente por políticas de industrialização, incentivos à cadeia produtiva local e investimento em tecnologia, permitindo que o estado deixe de ser apenas um grande fornecedor de matéria-prima e passe a transformar suas próprias riquezas em desenvolvimento econômico para sua população. Um papo que é antigo, e foi muito comentado e só comentado no governo Jatene, quando se falou em verticalização da produção de forma mais incisiva, entretanto, ficando apenas no papel. De lá pra cá, não se ouviu mais falar no assunto.
Madeira ainda sai da floresta

Mesmo com fiscalização mais rígida e regras ambientais cada vez mais presentes, o Pará continua sendo um dos principais polos madeireiros do Brasil. A extração de madeira legal e ilegal movimenta serrarias, e abastece mercados nacionais e internacionais.
Municípios como Portel, Santarém, Uruará, Altamira, entre outros, ainda concentram grandes áreas florestais e um parque de serrarias e beneficiadoras de madeira que abastecem desde o mercado da construção civil até exportações para a Europa, Estados Unidos e Ásia.
Dendê: o ouro alaranjado da agricultura paraense

Se tem uma cultura agrícola que virou potência no Pará é o dendê, também chamado de palma de óleo. O estado responde por cerca de 90% da produção nacional, transformando o nordeste paraense em um verdadeiro cinturão do dendê.
A cadeia produtiva envolve grandes empresas, cooperativas e agricultura familiar, gerando milhares de empregos no campo e movimentando a indústria de alimentos, cosméticos e biocombustíveis, mas, a maioria fora do estado.
Segundo dados do IBGE e levantamentos recentes, os 20 municípios que mais produzem dendê são:

Entre todos eles, Tailândia, Tomé-Açu, Moju e Acará aparecem como os grandes motores da produção.
Minério: a menina dos olhos das exportações
Mas se há um setor que realmente coloca o Pará no mapa global da economia é a mineração. O estado é hoje um dos maiores exportadores de minério de ferro do planeta, além de produzir bauxita, cobre, manganês e ouro. Só que tudo isso com pouquissimo valor agregado, já que saem em toneladas brutas.
Navios gigantes saem carregados dos portos paraenses rumo à China, Europa e Oriente Médio. E boa parte dessa riqueza sai de algumas cidades que se tornaram verdadeiras potências minerais.
Entre os municípios que mais exportam minérios no Pará estão:
• Parauapebas (minério de ferro – Serra dos Carajás)
• Canaã dos Carajás (cobre e ferro)
• Oriximiná (bauxita)
• Barcarena (alumina e exportação mineral)
• Paragominas (bauxita)
• Marabá (ferro e manganês)
• Curionópolis
• Itaituba (ouro)
• Tucumã
• Ourilândia do Norte

No próximo capítulo a moda do Açaí pelo mundo…

