O CLUBE DO REMO NA ELITE DO FUTEBOL E AS GERAÇÕES RENASCIDAS E RELEMBRADAS

Atualidades Esportes

Por Ícaro Gomes

No domingo, 23 de novembro, Belém amanheceu diferente. Havia um cheiro de esperança misturado ao abafado da cidade, como se o vento que atravessa a Baía do Guajará tivesse sussurrado durante a madrugada: “Hoje é dia de Remo.” E era. Depois de 31 anos de espera, de tropeços, noites insones e arquibancadas quase desabando de tanto peso de fé, o Clube do Remo finalmente reencontrava seu lugar de ascensão — e os azulinos espalhados pelos quatro cantos do estado do Pará caminhavam como quem volta para casa.

Nas janelas, bandeiras gastas pelo sol insistiam em tremular. Algumas tão antigas quanto a memória de seus donos. Em Belém e no interior do Pará, a paixão pelo Remo é hereditária – assim como também pelo rival Paysandu, que tem torcedores fiéis -, atravessa gerações como receita de família, ensinada na beira da rede, no pátio da escola, nos domingos de rádio chiado, na TV e nos telefones de hoje. E naquele domingo, enquanto a multidão se preparava para celebrar, muitos lembravam daqueles que não chegaram até ali: pais, avós, tios, amigos que carregaram o Leão no peito até o fim, mas que partiram antes do rugido voltar a ecoar forte. Mas, certamente, Eles estavam ali em espirito. Marcelo Botelho, de Salinópolis, escreveu em suas redes sociais “A VITÓRIA QUE DEVOLVEU BELÉM AO AZUL DA MEMÓRIA” e homenageou seu saudoso pai Raimundo Botelho: “Há vitórias que ultrapassam os limites do esporte. São conquistas que atravessam gerações, reacendem memórias adormecidas e devolvem ao coração um pedaço de quem fomos e de quem amamos. O retorno do Clube do Remo à elite do futebol brasileiro, após 31 anos de espera, foi exatamente esse tipo de vitória: coletiva, histórica e afetiva. Entre os milhares de torcedores que comemoraram a ascensão do Maior do Norte, eu também estava — e carregava comigo mais do que entusiasmo esportivo. Carregava a lembrança do meu pai, responsável por me apresentar ao universo azulino. Foi ele quem me levou ao Baenão pela primeira vez”.

Porque falar do Clube do Remo é falar de resistência. De um time fundado nas águas, que aprendeu cedo a remar contra marés fortes. É lembrar as glórias, os títulos, a rivalidade que mexe com o coração do Pará, as quedas dolorosas e, principalmente, a teimosia de levantar. O Remo sempre foi isso: um pedaço da alma paraense que se recusa a desistir.

E naquele retorno, a cidade parecia reviver junto. O “Mangueirão” pulsava. As ruas viraram um rio azul, onde adultos, crianças e idosos se misturavam, sem diferença entre gerações. A Aldeia Cabana, no charmoso bairro da Pedreira de Belém, escolhida para a festança, testemunhou muitas histórias e memórias. A voz da torcida — aquela mesma que nunca silenciou nos anos mais difíceis — agora transbordava. Era celebração, mas também alívio. Era como se, depois de décadas de luta, os Remistas pudessem respirar fundo e dizer: “Finalmente.

Todavia, o futuro já batia à porta. Entre abraços, fogos e lágrimas, muita gente comentava sobre 2026. O planejamento que começa cedo, a necessidade de reforços, de estrutura, de pensar grande. A diretoria fala em modernização, em fortalecer a base, em profissionalizar ainda mais o futebol. A torcida, essa, quer mais: quer estabilidade, quer competitividade, quer ver o Leão rugindo alto sem medo de ninguém. Quer que a ascensão não seja apenas um episódio, mas um capítulo novo — e duradouro — na história azulina. Em 2026, como haverá Copa do Mundo, o futebol para no meio do ano, então o calendário do Brasileirão começa no fim de janeiro, muito mais cedo.

A badalada jornalista Syane Nemo, demonstrou toda a sua confiança em “Crônica de um acesso anunciado“, escreveu que “Consta nos astros, nos signos, nos búzios.
Eu li num anúncio, eu vi no espelho
Tá lá no evangelho, garantem os orixás”: O Remo subirá!
Peguei emprestado os versos do tricolor Chico Buarque, em “Dueto”, para cantar a profecia que venho arriscando desde o início da série B. Estava escrito, meus amigos! Chegou a vez do Clube do Remo, “Filho da Glória e do Triunfo”, assumir as rédeas da história do futebol paraense.
A virada de chave, de um time que chegou a ficar sem divisão em três anos, começou a ser escrita na gestão do ex-presidente Fabio Bentes. Foi ali que o clube começou a sanear as dívidas e iniciar o tão sonhado processo de profissionalização efetiva”.
E assim foi…

 

 

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