Por Emanuel Pereira
Somos caboclos de “pés no chão“, nascidos à beira do rio corrente.
Aqui ainda se fala em “ilharga, tocaia, Inhaca, pixé, panema, busão, puçanga”, além de uma série de verbetes herdados do vocabulário Nheengatu que esteve em voga nos princípios da nossa colonização.

Aqui ainda se ouve falar em “Matinta Perera, Sauatá, Água do Bocal, Maiandeua e a Princesa do Algodoal”.
Aqui ainda se usa a roça, o curral, a tarrafa, o pote, o pilão e o paneiro.

Aqui ainda se toma mingau na cuia – chibé, caribé, manicuera, tacacá e açai amassado à mão.
Coisas do cotidiano do interior.

Como bom visionário o caboclo descobriu que nos meses sem a letra R o caranguejo fica magro – dito e feito.
Aqui se mantém o compadrio, o cumprimento cordial do dia a dia, e a consideração familiar.
Na mesa, a simplicidade e a distinção para um “avuado” regado a peixe fresco e mariscos extraídos na hora da maré.
Um retrato da velha Maracanã que não entrega sua identidade para o modernismo e segue no estirão do tempo fazendo história.
- O autor é Escritor, Professor e Poeta.

