IDENTIDADE | Maria Costureira E a luta diária que fez brotar vitórias

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Na Amazônia paraense tem muita história bonita escondida pelas vilas, ramais e beiradas de estrada. E as colunas do Blog Identidade e Empreender gostam justamente disso: contar a trajetória de gente de verdade, gente que rala, que cria, que inventa e que não arreda o pé da luta.

Hoje a história vem lá da Vila Santa Maria, no km 26 da PA-127, no município de Maracanã. É a vez de Maria de Nazaré Souza Neves, mais conhecida por todo mundo simplesmente como Maria Costureira.

Maria tem 38 anos, é mãe de seis filhos e desde 2023 segue a vida como mãe solo. Mas quem pensa que ela se abalou está muito enganado. Ela é daquelas mulheres amazônicas “arretadas”, que quando a maré aperta, arregaça as mangas e vai à luta.

E luta não falta.

Durante o dia, a casa dela é ateliê. As máquinas de costura não param: já são seis máquinas trabalhando e encomenda chegando de várias vilas da região de Maracanã. Roupa, criação, artesanato… Maria faz de tudo um pouco. E faz bem feito, porque o talento parece que corre nas veias da família.

Os filhos também herdaram o dom. Cada um já tem suas pequenas encomendas de trabalhos artesanais. É talento que só vendo.

Mas a vida não se resume à costura. Lá no roçado ela também garante uma renda extra: tem farinha da boa e criação de galinha caipira, dessas que o paraense sabe que é coisa séria. É trabalho do sol quente ao cair da tarde.

E quando a noite chega, ainda tem mais missão. Maria segue para a igreja Assembleia de Deus, onde também prega a palavra e ministra o evangelho. Fé, trabalho e família caminham juntos na vida dela.

Ao longo dos anos, também passou a compartilhar o que sabe. Já ministrou cursos de corte e costura e produção artesanal, ajudando outras mulheres a aprender uma profissão. Ela defende com firmeza a independência feminina.

Quando eu me separei eu disse que ia trabalhar muito e fazer pelos meus filhos”, conta.

E ela cumpriu. Teve época em que parava de costurar dez da noite e ainda varava a madrugada fazendo trufas para vender pela manhã. Tudo para garantir o sustento da família.

A história de Maria começou cedo. Aos 14 anos, já trabalhava em casa de família como doméstica. Mas foi em 2023 que deu a grande virada na vida: colocou ponto final no casamento, se apoiou em Deus e decidiu apostar de vez na própria independência.

E no meio dessa caminhada ela guarda uma lembrança especial.

Ela conta que, há cerca de 15 anos, o colégio do km 26 participou de uma feira de artesanato no aniversário de Maracanã. Maria representou a escola com trabalhos feitos por ela mesma, inclusive artesanato com garrafa PET.

Graças a Deus eu ganhei em primeiro lugar e foi um reconhecimento ao meu trabalho”, lembra.

No dia da premiação ela não pôde estar presente porque estava em Belém acompanhando a avó numa consulta. Mas o diretor da escola recebeu o prêmio e depois entregou a ela: uma bolsa da Moranguinho cheia de coisas dentro.

E Maria contou que nunca esqueceu quem tinha mandado o presente.

Eu nunca esqueci o seu nome. Era Ícaro Gomes, à época secretário municipal. Hoje chegou o dia de dizer muito obrigada”.

Histórias assim mostram bem a cara da Amazônia: gente simples, trabalhadora, cheia de talento e com fé que move montanhas.

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CTT ZAP

 

 

Da Redação

Ana Paula Tenório

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