Por Maurício Botelho
A tradição de retirar um tronco da mata, erguê-lo como mastro, enfeitá-lo com frutas e depois derrubá-lo tem origem nos rituais dos Tupinambás do litoral. Para esse povo indígena, a árvore possuía valor espiritual e sua retirada era um ato simbólico, representando a ligação entre a terra, os ancestrais e o mundo espiritual.

O mastro simbolizava fertilidade, proteção e abundância, enquanto as frutas penduradas eram ofertas de agradecimento à natureza. Após a celebração, a derrubada do mastro marcava o fim do ciclo ritual e permitia a partilha coletiva da fartura.
Com a colonização, o ritual foi cristianizado e associado a santos católicos, mas manteve sua estrutura indígena. No litoral amazônico, essa prática sobreviveu como uma herança cultural tupinambá, preservada nas festas populares e na tradição oral.

