A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Com aproximadamente 5 milhões de km², ela se estende por nove países da América do Sul, sendo que cerca de 60% de sua área está localizada no Brasil, abrangendo os sete estados da Região Norte.
Esse bioma, considerado essencial para o equilíbrio climático global, tem sido afetado por extremos de temperatura e pelas ondas de calor cada vez mais frequentes. Pesquisas recentes mostram que a extensão das áreas atingidas e a duração da estação seca na Amazônia aumentaram nas últimas décadas.
De acordo com estudo conduzido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Sistemas Tropicais e Ciências Ambientais (Trees/INPE), as ondas de calor que atingiram a região em 2020, somadas à degradação ambiental, reduziram significativamente a resiliência da floresta comprometendo sua capacidade de realizar a ciclagem da água e de estocar carbono.
A consequência é grave: o enfraquecimento do papel da floresta como reguladora climática e a intensificação dos efeitos das mudanças climáticas. Isso afeta não apenas os ecossistemas naturais, mas também as cidades amazônicas, que passaram a conviver com secas prolongadas, aumento de queimadas e escassez de água potável.
O calor intenso sobrecarrega os serviços de saúde, pressiona os sistemas de abastecimento de água e energia e expõe milhares de pessoas a riscos imediatos, como doenças respiratórias agravadas pela fumaça das queimadas.
Em 2024, o estado do Pará se tornou símbolo dessa crise. Um levantamento de dados mostrou que foi lá onde ocorreu o maior número de cidades castigadas pelo calor atípico no Brasil. Das 111 cidades brasileiras que enfrentaram mais de 150 dias de calor extremo, 46 estão no Pará.
Entre os exemplos mais críticos estão Melgaço, município com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, que registrou 228 dias de calor extremo, seguida pela capital do Estado, Belém, com 212 dias. Só no Pará, mais de 4 milhões de pessoas viveram sob estresse térmico em 2024.
Belém será sede da COP30, a Conferência Internacional da ONU sobre mudanças climáticas. A cidade, que esteve entre as mais castigadas pelo calor no último ano, estará sob os olhares do mundo justamente no momento em que se intensifica o debate sobre adaptação e justiça climática.
A avaliação considerou 41 estações meteorológicas espalhadas pela Amazônia Legal, com maior concentração no Pará, Amazonas e Maranhão. Para os especialistas, trata-se de uma anomalia associada às mudanças climáticas globais, mas também agravada por fatores regionais, como o avanço do desmatamento.
Quais as consequências das ondas de calor para o meio ambiente e agricultura?
As ondas de calor não afetam apenas o bem-estar humano, mas também o equilíbrio do meio ambiente. O aumento da evaporação e as secas prolongadas comprometem a agricultura e a disponibilidade de água.
Além disso, a combinação de calor extremo e queimadas agrava o risco de incêndios florestais, como os que vêm assolando o Pantanal e a Amazônia, ampliando os danos ambientais.

Na agricultura, os impactos são cada vez mais visíveis. Produtores de café enfrentam perdas significativas após meses de seca e temperaturas elevadas. As lavouras sofrem com pragas e doenças fora de controle, e colheitas inteiras já foram perdidas em estados tradicionalmente fortes na produção. Dias acima de 35 °C estão se tornando mais frequentes, ultrapassando os limites de adaptação das plantações.
O risco de incêndios também cresce. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que o órgão monitora os focos de fogo na Amazônia, mas advertiu que as ondas de calor aumentam tanto as chances de surgimento de novos incêndios quanto a dificuldade de combatê-los.
Segundo ele, a maior concentração de focos de calor se encontra no chamado Arco do Desmatamento, que abrange o sul da Amazônia, área historicamente vulnerável à devastação ambiental. Em 2024, a FioCruz classificou a combinação de ondas de calor e queimadas no ano de 2024 como uma das mais intensas já registradas no Brasil.
Na Plataforma POLITIZE! a jornalista maracanaense Gabriella Emim dos Santos, publicou uma série com diversos textos acerca do que são ondas de calor e quais seus impactos na região amazônica, agora reproduzidos aqui no Blog.


