Por Emanuel Pereira
A exemplo das demais doutrinas, a política maracanaense revelou valores que predominaram em vários ciclos lideranças da situação.
O arbítrio do poder, a voz do coronelismo, a influência econômica e os arranjos eleitorais, se encrustaram nos arraiais políticos.
Conflitos, opressão, efeitos da politicalha produzindo tirania e deixando cicatriz da impetuosidade às famílias que se mostram contrários aos partidos dominantes da época.

1 – Novembro de 1990, Maracanã recebia a comitiva do governador Hélio Gueiros, estava em campanha eleitoral pelo candidato Said Xerfan.
A praça de São Benedito estava cheia de correligionários do irreverente governador.
De repente… a cidade fica às escuras.
Cortaram a fiação elétrica que atende a cidade. Sem energia o comício é encerrado, abreviando o regresso a Belém da caravana governamental.
O resultado da sabotagem foi a demissão sumária do gerente da Celpa.

2 – O governo do presidente Jânio Quadros, tinha o senador e médico paraense Catete Pinheiro como Ministro da Saúde.
De visita a Belém, recebeu convite do amigo deputado Geraldo Palmeira para visitar Maracanã e rever parentes.
Viagem realizada, o ministro prometeu ao prefeito Josias Salomão, que Maracanã receberia via Ministério da Saúde, uma ambulância médica.
Ao chegar em Belém ficou sabendo que o presidente Jânio Quadros havia renunciado.
A ambulância prometida ficou pelo caminho.
3 – Maracanã estava envolta em mais uma eleição para prefeito.

Raimundo Botelho (PDS) e Raimundo Sá (MDB), realizaram uma conturbada campanha marcada por ofensas e agressões.
Na boca pequena a disputa estava “pau a pau“.
E veio a eleição e a esperada apuração de votos.
Raimundo Botelho mantinha uma pequena vantagem sobre Raimundo Sá.
Urna do Km 34, última a ser apurada, provocou euforia nos partidários peemedebistas que tinham certeza da vantagem, com votos de sobra para garantir a vitória do Raimundo Sá.
Urna aberta – surpresa!
Cadê a Ata da Sessão?
Esqueceram de enviar o tal expediente e sem Ata a urna foi anulada e a vitória sorriu para o Botelho que não esperava pelo presente do esquecimento, tornando realidade o sonho de ser prefeito de Maracanã.

4 – A história política maracanaense reserva 33 prefeitos em várias gestões.
O bairro da Campina foi residência de 14 mandatários, mas, o bairro do Jurunas sobressaiu recentemente e elegeu os três últimos prefeitos e com prenúncio de completar 22 anos de gestão jurunense.
A curiosidade é que todos nasceram no Jureba, na mesma avenida e estudaram na mesma escola.



- O autor é professor, escritor, cronista e historiador


