Avuado – o sabor salgado da maré que virou patrimônio afetivo do litoral paraense

Cultura, Entretrenimento e Gastronomia Variedades

No litoral atlântico do Pará existe um ritual gastronômico que dispensa fogão, panela sofisticada ou receitas elaboradas. Basta peixe fresco, sal, limão, pimenta,farinha “baguda” e uma boa roda de conversa. O nome da tradição é simples, quase tão direto quanto seu preparo: Avuado.

Quem percorre cidades como Maracanã, Salinas, Pirabas, Bragança, Augusto Corrêa, Vigia, São Caetano de Odivelas, Colares, Marapanim, Magalhães Barata e Curuçá, entre outras, percebe rapidamente que ali a vida pulsa no ritmo das marés. E foi justamente desse compasso natural entre homem e oceano que nasceu um dos costumes mais autênticos da cultura praieira paraense.

Reza a sabedoria dos pescadores que o “Avuado” nasceu no meio da labuta, em alto mar ou nas croas que surgem quando a maré decide dar uma trégua. Após horas puxando rede, alguém sempre lembrava: “Tem peixe, tem limão e tem sal… então já temos almoço.” E assim, quase por decreto da fome e da criatividade, o peixe era limpo ali mesmo, cortado em pedaços generosos e temperado apenas com sal e limão.

Sem frescura. Sem cerimônia

O toque final vinha da “farinha baguda“, daquelas bem torradas e crocantes, companheira inseparável da mesa amazônica, e da pimenta que faz qualquer distraído pedir água… ou mais farinha. O resultado? Uma explosão de sabor que mistura o frescor do mar com a simplicidade da vida costeira.

Com o tempo, o “Avuado” escapou das canoas e barcos e invadiu os quintais das casas, as varandas de praia e os encontros de amigos. Hoje é comum ver rodas animadas nos fins de tarde, especialmente quando a maré baixa revela bancos de areia e o vento traz aquele perfume salgado que só o Oceano Atlântico paraense sabe oferecer.

Aliás, quem já participou garante: o Avuado tem uma curiosa propriedade social. Ele aproxima as pessoas. Ninguém come “Avuado” sozinho. Sempre aparece um amigo, um vizinho ou aquele primo que “passava por perto” justamente na hora em que o peixe estava sendo temperado.

O pescador artesanal e influencer digital Raylson Dias, da cidade de São João de Pirabas, conhece bem essa essência de tem um canal no Youtube, em que conta um pouco do seu dia a dia no mar, junto com parceiros de jornada de pescaria e hoje também empresta suas belas imagens para compor a nossa postagem.

Siga o Canal do Raylson Dias lá no Youtube

Da Redação

Ícaro Gomes – @IcaroGomes

Imagens: Raylson Dias – @raylsondiaspesca

Deixe um comentário