Geni e o Zepelim: Uma Crítica Social em Forma de Canção
A música ‘Geni e o Zepelim’, composta por Chico Buarque, é uma obra que transcende a narrativa de uma simples canção para se tornar uma poderosa crítica social. Através da história de Geni, uma mulher marginalizada pela sociedade, Chico Buarque tece uma metáfora sobre a hipocrisia social, o preconceito e a exploração dos mais vulneráveis.
Geni é descrita como uma mulher que se entrega aos desfavorecidos, aos ‘errantes’, ‘cegos’ e ‘retirantes’, simbolizando a generosidade para com aqueles que nada têm. No entanto, a mesma sociedade que se beneficia de sua bondade é rápida em condená-la, atirando-lhe pedras e insultos. A repetição do refrão ‘Joga pedra na Geni!’ evidencia a crueldade coletiva e a tendência humana de encontrar bodes expiatórios para seus próprios fracassos e frustrações.

O ponto de virada na narrativa ocorre com a chegada de um zepelim, cujo comandante ameaça destruir a cidade a menos que Geni lhe ‘sirva’ por uma noite. A mesma população que a vilipendiava agora a vê como salvadora, revelando a hipocrisia e o oportunismo social. Após se submeter ao comandante para salvar a cidade, Geni é novamente rejeitada e insultada ao amanhecer, mostrando que, apesar de seus sacrifícios, ela permanece um pária. A canção de Chico Buarque, portanto, é um retrato contundente da sociedade que estigmatiza e explora os mais fracos, enquanto esconde suas próprias mazelas atrás de um véu de moralidade duvidosa.